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ISO 50001 em processos térmicos: o ponto cego que consome 43% da energia da indústria

Gerenciar apenas a conta de luz deixa de fora a maior fatia do consumo energético de uma planta industrial.

22 de junho de 2014
ISO 50001 em processos térmicos: o ponto cego que consome 43% da energia da indústria

Grande parte das indústrias comemora a queda no consumo de energia elétrica, contudo, ignora a fatia que realmente pesa na conta energética: os processos térmicos movidos a combustão. Investimentos em eficiência energética costumam iniciar com entusiasmo e terminar sem acompanhamento, sem saber ao certo se a redução prometida por tonelada processada realmente aconteceu, nem por quanto tempo ela se sustenta. O sistema de gestão de energia da norma ISO 50001 existe justamente para fechar essa lacuna, e a Perfil Térmico entra com o dado de partida que faltava: o levantamento real do consumo e das perdas nos processos térmicos da planta.

Eficiência energética é fácil de defender e difícil de sustentar

O discurso sobre eficiência energética avançou rápido nos últimos anos, tanto em governos quanto em organizações industriais, porque o benefício de produzir mais com menos energia é intuitivo. A prática, entretanto, é bem mais exigente do que a teoria: ela depende de conhecimento técnico atualizado, acesso a equipamentos adequados, capital disponível e manutenção contínua.

Muitas unidades produtivas do País já reúnem capital intelectual e financeiro suficiente para manterem-se atualizadas, e até para desenvolver tecnologia própria. Ainda assim, boa parte dos investimentos em eficiência energética segue pouco acompanhada depois de implementada. Quanto se esperava reduzir de energia por tonelada processada? Esse valor realmente se sustenta ao longo do tempo? A resposta depende, em grande medida, da mão de obra: a rotatividade de operadores e mantenedores apaga informações essenciais para comprovar, e manter, o retorno do investimento.

A exigência da ISO 50001 na prática

A norma brasileira ABNT NBR ISO 50001, publicada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas em julho de 2011, trata de sistemas de gestão de energia com requisitos e orientações de uso. Na prática, ela exige um ciclo de melhoria contínua com etapas bem definidas.

Tudo começa pelo levantamento do consumo, do uso e da eficiência de energia, no passado e no presente, relacionado às variáveis que afetam o uso significativo de energia. Um forno de pintura automotiva, por exemplo, consome mais gás natural por veículo pintado no inverno do que no verão, simplesmente porque a temperatura ambiente influencia a demanda térmica do processo. Esse tipo de levantamento revela as áreas de maior consumo e menor eficiência, que passam a receber prioridade.

Em seguida vem uma das etapas mais complexas do processo: identificar oportunidades reais de melhoria nessas áreas, comparando os dados coletados com valores de referência, entre plantas semelhantes do mesmo grupo, concorrentes ou parâmetros teóricos. É a partir dessa comparação que nascem as linhas de base energética, os indicadores de desempenho, os objetivos, as metas e o plano de ação.

Depois de implementado, o plano de ação entra em verificação contínua, por meio de monitoramento, medição e análise. Não conformidades, correções e ações corretivas e preventivas aparecem nessa fase, sujeita a auditorias regulares. Os resultados passam pela análise crítica da direção, fechando o ciclo PDCA (planejar, fazer, verificar e agir) e reiniciando o processo de melhoria contínua.

Por que a energia térmica merece o mesmo rigor da elétrica?

Um equívoco comum, na nossa leitura, é tratar a ISO 50001 como uma norma exclusiva de gestão de energia elétrica. Faz sentido aplicá-la também à energia térmica, especialmente porque o consumo térmico da indústria supera, e muito, o consumo elétrico.

O Balanço Energético Nacional (ano-base 2024), elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), mostra esse desequilíbrio com clareza: a eletricidade responde por 22% do consumo energético industrial. Bagaço de cana, carvão mineral e gás natural, combustíveis que produzem energia por combustão, ou seja, por processo térmico, somam 42,6%, quase o dobro da eletricidade. Gerenciar apenas a conta de luz, portanto, deixa de fora a maior fatia do consumo energético de uma planta industrial.

No entanto, toda a lógica da ISO 50001 depende de um ponto de partida: dados reais sobre onde e como a energia térmica está sendo consumida, ou perdida, na planta industrial. É exatamente esse o papel da Perfil Térmico: levantar a temperatura, o consumo e as perdas dos equipamentos térmicos com precisão suficiente para alimentar as linhas de base energéticas exigidas pela norma.

Sem esse levantamento inicial, a ISO 50001 aplicada a processos térmicos perde a base sobre a qual toda a melhoria contínua deveria se apoiar. Com ele, a norma deixa de ser um documento de intenções e se transforma em uma ferramenta concreta de redução de custo, com potencial para trazer benefícios econômicos e ambientais reais para a indústria brasileira.

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