A ABM Week chegou à décima edição entre os dias 8 e 10 de setembro de 2026, no Pro Magno Centro de Eventos, em São Paulo, com o maior volume técnico da sua história: com mais de 1.300 trabalhos inscritos e mais de 100 empresas patrocinadoras.
A Perfil Térmico acompanhou os três dias de programação técnica com uma pergunta específica em mente: em qual etapa , dentro de toda a discussão sobre eficiência energética, entra a redução de perdas térmicas nos processos industriais?
A resposta apareceu em quase todas as salas, ainda que raramente com esse nome.
A economia circular chega antes da energia
A abertura combinou o 24º Encontro Nacional de Estudantes de Engenharia Metalúrgica, de Materiais e de Minas, o painel de mineração, redução e aglomeração, uma mesa-redonda dedicada à economia circular e o Fórum de Líderes. A ordem não foi acidental. A economia circular deixou de ser um tema de relatório de sustentabilidade e passou a ser uma conversa de engenharia de processo, sobre materiais secundários, reaproveitamento e vida útil de componentes.
Para quem trabalha com refratários e isolantes, essa discussão é bastante concreta. A vida útil de um revestimento térmico define quantas paradas o equipamento terá em cinco anos, quanto material vai para descarte e qual é o custo real por tonelada processada, e não apenas o preço do metro quadrado na cotação. Um revestimento especificado somente pelo preço tende a ser substituído com mais frequência, o que anula a economia inicial e multiplica o resíduo gerado. A conversa sobre circularidade, portanto, começa na especificação, não no descarte.
Perfil Térmico compartilhando conhecimento

O segundo dia concentrou os temas mais relevantes para processos de alta temperatura, com o painel do alumínio, o 45º Seminário de Energia e Transição Energética, o 55º Seminário de Aciaria, Fundição e Metais Não Ferrosos e a plenária sobre terras raras, além de cinco mesas-redondas simultâneas. O presidente-executivo da associação resumiu bem o momento, ao dizer que o evento se tornou o palco das discussões mais decisivas do setor.
A descarbonização da siderurgia e da fundição dominou essas discussões, e a maior parte das soluções apresentadas envolve a mudança da fonte de energia (hidrogênio, biometano, oxicombustão e eletrificação).
Aqui cabe uma observação que sempre reforçamos aqui na Perfil Térmico: trocar a fonte de calor sem revisar o isolamento resolve apenas metade do problema. Um forno que perde calor pela carcaça continuará perdendo depois da conversão, e o combustível novo, normalmente mais caro que o anterior, torna cada quilocaloria desperdiçada ainda mais onerosa.
A ordem lógica, então, é inversa à intuitiva. Antes de dimensionar o novo queimador, mede-se a temperatura de face fria, revisa-se a espessura e o tipo de material refratário e recalcular a perda. Os painéis microporosos entregam a menor condutividade por milímetro quando o espaço é crítico, as mantas e fibras cerâmicas resolvem a contenção térmica quando há espaço disponível, e o silicato de cálcio combina estabilidade dimensional com resistência mecânica. A escolha entre eles não é uma questão de preferência, e sim uma consequência da temperatura contínua de trabalho, do espaço disponível e do esforço mecânico ao qual o revestimento estará submetido.
No painel do alumínio, essa lógica fica ainda mais visível, porque fornos de fusão e fornos de espera operam em regime praticamente contínuo, e cada ponto percentual de perda térmica se acumula por 8.760 horas ao ano.
Ferramentaria, mineração e a formação de quem vai operar tudo isso
O encerramento trouxe o 22º Seminário de Moldes, Matrizes e Ferramentas, o 25º Seminário de Mineração e o programa de jovens talentos. O diretor de operações da entidade destacou justamente a convivência entre o caráter de difusão do conhecimento técnico-científico e o aspecto empresarial do encontro, e o último dia expressou bem essa combinação.
A ferramentaria interessa diretamente a quem fornece isolamento, porque o tratamento térmico é uma das aplicações mais sensíveis à uniformidade de temperatura. Um forno com gradiente térmico irregular entrega peças com dureza irregular, e a causa raiz frequentemente está no revestimento. O bloco de formação, por sua vez, tocou num ponto que a indústria brasileira ainda subestima: a especificação térmica é um conhecimento que se perde quando o profissional experiente se aposenta, e poucas empresas documentaram esse critério.
O que a Perfil Térmico traz de volta da ABM Week
Três dias de programação técnica reforçaram uma convicção que orienta o nosso trabalho há 44 anos: a eficiência energética industrial no País vai avançar mais rápido pela redução de perdas do que pela substituição de fontes, simplesmente porque a primeira é mais barata, mais rápida de implantar e não depende de infraestrutura nova.
Reduzir a perda térmica é uma decisão que a planta toma sozinha, dentro da própria parada programada, com material disponível em estoque no Brasil. Substituir a matriz energética depende de disponibilidade de rede, de fornecimento de hidrogênio, de licenciamento e de investimento de capital que nem toda operação consegue aprovar no ciclo atual. As duas agendas caminham juntas, contudo elas não têm o mesmo prazo.
Quem quiser começar pela agenda mais rápida pode usar os nossos simuladores para uma primeira estimativa, ou falar direto com um especialista, e a nossa linha de isolamento térmico industrial cobre da manta cerâmica flexível ao painel microporoso, com apoio técnico na especificação.
A próxima edição da ABM Week já está no nosso calendário. Até lá, o forno continua ligado.