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A Prática da Transformação Digital no Processamento Térmico

Um dos questionamentos que mais ouço quando palestro em nome da ABII - Associação Brasileira de Internet Industrial é: “Estou ciente dos grandes benefícios da Internet Industrial mas COMO tiro proveito e POR ONDE começo a transformação do meu negócio?”

É importante salientar que transformação digital é um processo. Não se digitaliza um negócio todo de uma só vez. Primeiro, sugiro começar pelo processo mais crítico, o famoso gargalo. É lógico concluir que, se aumentarmos a produtividade e a eficiência do gargalo, principais benefícios da digitalização, ou ele deixa de ser gargalo, passando este posto para outro processo, ou ele se torna um gargalo mais largo, beneficiando toda a cadeia.

Segundo, sugiro que a digitalização seja, inicialmente, adicionada em paralelo ao atual processo gargalo, de tal forma que, no pior cenário, tudo fica como está atualmente. Em artigos anteriores vimos que isso é possível, já que a digitalização pode transformar equipamentos antigos, favorecendo e muito a sua aplicação, principalmente em países como o Brasil, onde o custo do capital fez nosso parque fabril estar obsoleto. Esta transformação não intrusiva traz grande conforto para o usuário e para o integrador, já que erros e ajustes são permitidos. Além disso, a implementação não intrusiva da digitalização permite uma fase de adaptação, um tempo para que todos os envolvidos naquele processo, se acostumem com a tecnologia.

Tomemos o exemplo de um fabricante de parafusos, que reconhece que o processo térmico é vital para seu negócio. Os principais processos térmicos deste fabricante são: recozimento do arame além de têmpera e revenimento do produto final. Analisando a responsabilidade de cada um dos processos, podemos concluir que a têmpera é o processo térmico mais crítico, consequentemente, o processo que deve ser digitalizado primeiro. Escolhido o processo, a digitalização pode começar pelo monitoramento online e registro de todos os atuais sensores do forno, por exemplo, termopares, sonda de potencial de carbono e sensores de movimento, sem alterar ou influenciar os atuais loops de controle. Conhecer todo o comportamento do equipamento traz muitos insights para os operadores, processistas e mantenedores. E, ao mesmo tempo, tranquilidade, pois não é necessária qualquer alteração no hardware do equipamento monitorado. Os controladores de processo antigos continuam desempenhando seu papel, a única diferença é que agora se tem um registro online do comportamento das variáveis que controlam. Grandes oscilações de temperatura visualizadas no sistema de monitoramento, por exemplo, podem indicar que os ajustes PID do controlador devem ser atualizados. A soma dos ganhos de cada uma das melhorias possíveis, através do conhecimento do comportamento das variáveis, traz enorme incremento em produtividade e eficiência operacional.

O hardware [email protected] Box e o portal ReMo, desenvolvidos pela TERMICA Solutions, possibilitam a digitalização de processos, dando o primeiro passo para o caminho da Indústria 4.0, permitindo  esta transparência nos dados do processo.

O [email protected] Box é conectado aos sensores (digitais, analógicos, pulso, RS485, etc.) do equipamento, coletando seus dados, apresentando ao operador e escrevendo os mesmos nas nuvens através de sua conectividade 3G/4G, WiFi ou Ethernet.

O ReMo é a plataforma online que permite a visualização dos dados atuais ou a revisão dos dados em qualquer período histórico.

Como disse W. Deming, “Não se gerencia o que não se mede!”. Portanto, a digitalização é uma forma barata e rápida de melhorar o gerenciamento do seu processo térmico.